Brasil e Ucrânia

“A Rússia sempre honra a palavra, exceto em caso de necessidade” Josef Stalin

O Brasil situa-se a mais de 10,6 mil quilômetros da Ucrânia. Separam-nos o Oceano Atlântico e a Europa Ocidental. Somos diferentes em tamanho, número de habitantes, idiomas, recursos econômicos e naturais, tradições, desenvolvimento humano e cultural.



Mesmo assim, é impossível calar a indignação diante da guerra de conquista deflagrada pela Federação Russa contra o povo ucraniano. Guerra suja, com o objetivo de submeter à escravidão Estado soberano, cuja independência foi conquistada após a dissolução da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) em 8/11/1991, graças às reformas do secretário-geral Mikhail Gorbatchev (1985-1991), responsável pela política conhecida como Perestroika (reestruturação) e Glasnot (transparência).


Imaginava-se que a debacle da URSS e a recuperação da liberdade pelos países satélites significava o fim da Guerra Fria e da corrida armamentista, período em que os Estados Unidos da América e a União Soviética disputavam a primazia em poderio bélico baseado no armamento nuclear.


A Ucrânia jamais deixou de ser alvo da Rússia. Durante o regime stalinista (1924-1953), movimentos pela independência foram reprimidos e assassinados os líderes nacionalistas. Vladimir Putin, sucessor de Stalin como ditador e na crueldade, preparou-se desde que assumiu o poder em 2000 para a invasão do território vizinho, como primeiro passo para a reconquista dos antigos satélites e a reconstrução da cortina de ferro.


A superioridade em armas da Rússia frente à Ucrânia é devastadora. É alarmante a mensagem divulgada pela imprensa internacional, de estar disposta a fazer uso do arsenal nuclear contra o mundo livre. Há poucos dias, ameaçou intervir na Finlândia e na Suécia, na hipótese de aderirem à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Desafia a Organização das Nações Unidos (ONU) por aprovar, pela quase unanimidade dos países membros, declaração de repulsa à invasão. Enquanto a infantaria russa encontra dificuldades para vencer a resistência do povo ucraniano, aviões e artilharia bombardeiam instalações civis provocando destruição e milhares de mortos e feridos.

O Brasil permanece em posição vacilante. O representante na ONU se coloca ao lado dos países amantes da liberdade, mas o presidente Jair Bolsonaro, após desastrosa visita a Vladimir Putin, reluta em condenar a selvageria, preocupado com a importação de fertilizantes.


Mais uma vez o presidente passa recibo de falta de coragem e ausência de liderança. Adotou a pior das posições como chefe de Estado. Ao recusar apoio a povo livre, empenhado em defender a soberania contra os cossacos de Putin, cobre-nos de vergonha. Ignora o Preâmbulo da Constituição, em que o povo assume solene compromisso com “a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias”.


A guerra, escreveu Carl Von Clausewitz, é a realização da política por outros meios. Vladimir Putin faz da invasão da Ucrânia instrumento político destinado a subjugar patriotas cujo objetivo consiste em preservar a liberdade. A Rússia nunca foi democrática e pacífica. Faz da guerra uma espécie de cultura, para avassalar vizinhos fracos. Colaborou com Hitler, quando o nazismo ocupava a Polônia e massacrava judeus no Gueto de Varsóvia.


Josef Stalin, em quem se inspira Vladimir Putin, morreu aos 73 anos. Foi sepultado no Mausoléu de Lenin. Algum tempo depois, com a divulgação de relatório oficial sobre os crimes cometidos, teve o nome apagado, foi exumado e emparedado no Muro do Kremlin, em Moscou.


A invasão da Ucrânia deflagra corrida armamentista. Bilhões serão retirados da saúde, da educação, do transporte, da habitação, do desenvolvimento científico, do socorro aos necessitados, para serem investidos em mensageiros da morte. Com as Forças Armadas desaparelhadas, como ficará o Brasil? Gastará dinheiro na aquisição de armas modernas e munições? Aumentará o efetivo do Exército, Marinha e Aeronáutica?


Afinal, diante da evolução do conflito, como fica o governo diante do mundo? Assume as responsabilidades perante os países livres, democráticos, independentes, ou mantém o apoio a Vladimir Putin, êmulo na crueldade de Hitler e de Stalin?

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