O Brasil e a crise da Ucrânia

A agressão à Ucrânia pela Rússia, que se aproveita da desproporcional superioridade de forças militares, coloca o Brasil na crise sob governo de presidente confuso, omisso, despreparado, sedento de poder, embora ignorante em assuntos de geopolítica e de conflitos bélicos mundiais.


Jair Bolsonaro, capitão paraquedista reformado, não demonstra familiaridade com bons livros. Por palavras e atos denuncia elevado grau de ignorância. Não se lhe pode negar, todavia, a postura pragmática voltada a tirar vantagens em todas as oportunidades, mesmo as infelizes.


A demonstração de simpatia a Wladimir Putin, o ditador que se preparou longos meses para invadir a Ucrânia, país cujas forças armadas são numericamente inferiores às russas em homens, armas e equipamentos, ficará na História do nosso País como mancha indelével. Seria o mesmo que Getúlio Vargas fosse prestar vassalagem a Hitler em Berlim, às vésperas da invasão da Polônia, da Bélgica, da França e do bombardeamento da Inglaterra.



Apesar da distância de milhares de quilômetros do campo de batalha, o Brasil não pode se considerar livre de ser afetado pela política expansionista da Rússia, que faz da Ucrânia apenas a primeira vítima.


O apetite insaciável do ex-integrante da KGB é comparável ao de Josef Vissarionovich Stalin (1879-1953), o abominável criminoso que se aproveitou do final da segunda Guerra Mundial para avançar sobre o leste europeu e transformar pela violência todos os vizinhos em satélites da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), situação que iria perdurar até a queda do Muro de Berlin.


A Rússia jamais foi democracia. A derrubada do Czar Nicolau II (1894-1917), pela Revolução Bolchevista de 1917, liderada por Lenin, Vladimir Ilych Uyanov (1870-1924) e Trotsky, Leon Davidovich (1879-1940), resultou na imposição de sangrento regime comunista, do qual jamais o povo russo se libertou.



Putin dá vasão a impulsos autoritários quando o mundo mal sai da pandemia do coronavírus. Sente-se beneficiado pela debilidade da Organização das Nações Unidas (ONU), presa a compromissos assumidos em abril de 1946 quando foi fundada, e que lhe não permitem expulsar a Rússia, por integrar o Conselho de Segurança de maneira permanente, com direito de veto sobre a deliberação dos demais.


Desacredito da possibilidade de intervenção das forças da Organização do Tratado do Atlântico e duvido da eficácia dissuasória de sanções econômicas decretadas pelos países ocidentais.


A invasão da Ucrânia, Estado soberano, cultural e politicamente mais próximo do ocidente, talvez seja o primeiro passo na escalada de violência destinada a anexar outros países à órbita de influência da Rússia. Polônia, Suécia e Finlândia poderão ser os próximos alvos. A questão diz respeito ao Brasil, pois o mundo globalizado, informatizado, dos submarinos, porta-aviões, mísseis nucleares e aviões supersônicos, desconhece distâncias e fronteiras.


Resolvida a situação na Europa, Putin voltará os olhos para a América do Sul onde conta com a Venezuela para lhe servir como ponto de apoio. Na América Central tem como aliados Cuba e a Nicarágua, ditaduras controladas pelo Partido Comunista.


O presidente Jair Bolsonaro não está à altura do momento crítico, quando entram em jogo valores democráticos sob a ameaça do ditador discípulo de Stalin. De que lado ficarão as Forçar Armadas, incumbidas da defesa da Pátria e da garantia dos poderes constitucionais?


O comportamento de Jair Bolsonaro, que a todo momento demonstra estar desejoso de tumultuar o processo eleitoral na hipótese de perder as eleições de outubro, o coloca na esfera de influência de Wladimir Putin.


Quem diria que nossa extrema direita encontraria argumentos para servir aos interesses da extrema esquerda, liderada pela Rússia?

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