Em busca de nova opção

Apesar da presença de 11 pré-candidatos, a campanha presidencial é vítima de inexplicável monotonia. Em primeiro plano temos Jair Bolsonaro, Luís Inácio Lula da Silva, Ciro Gomes, João Dória e Simone Tebet. Os demais não existem.

Ciro Gomes é veterano em disputas presidenciais. Foi candidato em 1998 e 20

02 pelo Partido Popular Socialista (PPS) fundado por egressos do Partido Comunista, atual Cidadania. Malsucedido tentou novamente em 2018 pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT), do falecido Leonel Brizola. Ficou na terceira posição. Algo existe na personalidade do ex-governador do Ceará que lhe dificulta a comunicação com parcela da opinião pública. Inteligente, orador convincente, conhece como poucos os problemas nacionais. É incapaz, todavia, de seduzir o eleitorado. Gostaria de vê-lo no segundo turno, debatendo com Lula ou Bolsonaro. Seria massacrante.

João Dória, aprovado nas prévias do PSDB, permanece no limbo sem o vigoroso apoio do partido. Desde a eleição para governador de São Paulo caminha rumo ao isolamento. Perde a cada passo a solidariedade dos principais quadros tucanos. Há poucos dias a imprensa noticiou que o ex-presidente Fernando Henrique lhe sustenta a candidatura. Trata-se de nome respeitável, a quem o PSDB deve muito. Não acredito, porém, que lhe garantirá a maioria de que necessita. João Dória é a elite paulistana, em busca de popularidade. Abandonado pelas lideranças, suponho que renunciará convencido pelos fatos.

Simone Tebet é a boa novidade no pleito nacional. Sobre ela não pesam acusações. Transmite competência, simpatia e passado limpo. Está apta a exercer a presidência da República. O MDB, porém, tem sido fisiológico e inconfiável. A reunião de carcomidos coronéis nordestinos com Lula, na residência de Eunício de Oliveira, revela do que são capazes políticos venais, para alcançarem sinistros objetivos. Fala-se que o ex-presidente Michel Temer a apoia. Até este momento, entretanto, não assumiu postura combativa. Falta ao político de Tietê o passado indômito de Franco Montoro, Paulo Brossard, Ulysses Guimarães, Tancredo Neves. Neste período dramático para o Brasil, o presidente de honra do MDB não pode se esquivar a sua responsabilidade. Afinal, o MDB estará com Simone Tebet, ou prestará vassalagem a Lula.

Eduardo Leite, também do PSDB, ex-governador do Rio Grande do Sul, aos 37 anos deseja ser presidente da República. Para isso deverá afastar João Dória. Por ser pouco conhecido além das fronteiras sul-rio-grandenses, dificilmente conseguirá alcançar o pelotão de vanguarda. Em situação semelhante observo os desconhecidos Felipe d’Ávila, candidato pelo Partido Novo e André Janones, pelo Avante.

Os demais, a começar pelo insistente nas derrotas José Maria Eymael, da Democracia Cristã (DC), Leonardo Péricles, do Unidade Popular pelo Socialismo (UP), Vera Lúcia, do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados (PSTU), serão meros figurantes. Atores inexpressivos que usam a candidatura como veículo de promoção pessoal. Candidatam-se por exibição, teimosia e pelo Fundo de Financiamento de Campanha.

O panorama eleitoral revela a profundidade da crise. Os partidos não passam de fugazes legendas. Salvo o PT, são pirâmides sem fundações e sem base. Vivem para satisfazer ambições das cúpulas. Fidelidade partidária é coisa antiquada. Veja-se o caso de Geraldo Alckmin. Pertenceu ao MDB (1972/1979), ao PMDB (1980-1988), foi fundador do PSDB (!988-2021), pelo quase elegeu deputado federal, vice-governador e governador de São Paulo. Incompatibilizou-se com João Dória e migrou para o Partido Socialista Brasileiro (PSB), ao qual já pertenceu Anthony Garotinho.

É difícil acreditar que Geraldo Alckmin de um momento para outro tenha deixado de ser socialite para se tornar socialista. Como o nome do partido pouco importa, a súbita adesão à doutrina esquerdista se deu para candidatar-se a vice-presidente do figadal adversário Lula. Deve esclarecimentos a São Paulo a respeito de faraônico monotrilho na Av. Jornalista Roberto Marinho, que prometeu entregar ao povo em 2014 e permanece inacabado.

Tudo indica que a bipolaridade Lula-Bolsonaro estará no segundo turno. É lamentável. O País gostaria de acompanhar debates sérios, do qual participassem Ciro Gomes e Simone Tebet. Lula e Bolsonaro pertencem ao passado. Sobrevivem graças a manobras de cúpula, à indulgência do Poder Judiciário, ao predomínio do coronelismo em determinadas áreas, à artificialidade das legendas, à pouca importância que o lumpem-eleitorado atribui ao voto.

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