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Academia e aprendizado

Por Antonio Carlos Aguiar (discurso de posse como presidente da APDT para o biênio 2021/23, proferido em evento online ocorrido em 18/05/2021).


Que honra estar aqui com todos vocês.

Que prazer.

Que alegria poder viver o dia de hoje.

Que sensação maravilhosa fazer parte desta academia:

A Academia Paulista de Direito do Trabalho!

Que gostoso compartilhar os ensinamentos que jorram deste maravilhoso corpo seleto e dileto de pessoas.

De ótimas pessoas.

De diferenciadas pessoas.

Que delícia saber que a academia é fonte. Fonte da qual se bebe sabedoria, conhecimento, beleza.

Que maravilhoso poder estar neste lugar de despertar.

Despertar acadêmico pelo caminho do aprendizado.

Aprendizado por meio da escuta ativa e da força da palavra.

Aprendizado que ensina que aprender, é compreender e entender “os e com” diferentes.

Aprendizado que nos faz a enxergar campos e suas mil formas de beleza, onde de início mostram-se monótonas e previsíveis monoculturas.

Aprendizado que nos possibilita acordar a lagarta adormecida, transformando-a em borboleta.

Aprendizado que nos fornece luz para encontrar príncipes, onde escondem-se sapos.

Aprendizado das e pelas palavras.

As palavras ...

Entidades mágicas, autênticas feiticeiras, que possuem poderes bruxos que despertam mundos...

Nosso corpo é feito de palavras. Assim, podemos ser príncipes ou sapos, borboletas ou lagartas, campos selvagens ou monoculturas, poetas e inventores!

Diferente dos corpos dos animais, que nascem prontos ao fim de um processo biológico, o nosso corpo, ao nascer, é um caos grávido de possibilidades, à espera da palavra que fará emergir” (Rubem Alves, Conversas sobre Educação).

Palavras “se assemelham às pimentas: elas podem provocar incêndios nos pensamentos. Mas. Para se provocar um incêndio, não é preciso fogo. Basta uma única brasa. Um único pensamento-pimenta...' (Rubens Alves, Pimentas: para provocar um incêndio, não é preciso fogo)

Palavras...

Emerson, na sua obra Homens Representativos, em 1850, já destacava:

“A sinceridade e o vigor do homem chegam até as sentenças por ele escritas. Desconheço livro que pareça menos escrito. É a linguagem da conversação transferida para um livro.

Se cortarmos as palavras, elas sangram; são vasculares e vivas”.

As palavras sangram...

“A esse processo mágico pelo qual a palavra desperta os mundos adormecidos se dá o nome de educação.” (Rubem Alves, Conversas sobre Educação)

Por isso, a educação fascina.

Por isso, a educação liberta.

Daí porque a necessidade imperiosa de saber para saber.

Saber para facilitar.

Saber para crescer.

Saber para amadurecer.

Saber para servir.

Saber para respeitar os diferentes. Entender a diversidade. Compreender a complexidade do ser humano e o mundo sem limites de sua expressão.

O saber não amordaça.

Não somos todos iguais.

Não há por que esperar e exigir que todos se apresentem e se comportem de maneira igual.

Isso não é educar.

Isso é aprisionar.

Educar é receitar elixir libertário e não sinônimo de cárcere.

A educação não é um feitiço para esquecer quem somos, a fim de sermos recriados à imagem e semelhança de um Outro.

Ensinar não é pasteurizar informações.

Nietzsche dizia que “escrevia para educar. Mas tinha horror às escolas. Nas escolas se formam os rebanhos de ovelhas, todas balindo igual, todas pensando igual. Ovelha que balisse diferente, que pensasse diferente, ia para o manicômio ou era reprovada. Morreria de rir se tivesse a felicidade de ler a Adélia Prado:

‘Escola é coisa sarnenta. Fosse terrorista, raptava era diretor de escola e dentro de três dias amarrava no formigueiro, se não aceitasse minhas condições. Quando acabarem as escolas quero nascer outra vez’” (Rubem Alves, Conversas sobre Educação).

Academia não é escola.

Academia é lugar de liberdade.

Academia é lugar de liberdade de expressão.

Academia é sapiência.

Academia é democracia. Todos são escutados. Todos falam. Todos têm palavra.

Academia é lugar de fazer as coisas com amor. Sim, amor, pois “o amor é lealdade, o amor é trabalho em equipe, o amor respeita a dignidade e a individualidade” (Vince Lombardi).

A academia é um pouco de Eclesiastes:

“Aquilo que a tua mão tiver de fazer, faça-o com obstinação, pois não há trabalho, nem invento, nem conhecimento, no túmulo, para onde vais.

Outra vez me voltei, e vi sob o sol que a corrida não é para os céleres, nem a batalha para os fortes, tampouco o pão para os sábios, nem a riqueza para os homens esclarecidos, nem o favoritismo para os homens de talento; o tempo e a oportunidade se apresentam a todos eles”.

Para todos nós!

Viver é um eterno, real e maravilhoso aprendizado.

Muito obrigado.

Um fraternal abraço a todos vocês!


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Antonio Carlos Aguiar é Advogado, Professor de Direito do Trabalho e Presidente da Academia Paulista de Direito do Trabalho – APDT.


Confira abaixo o discurso do Presidente da APDT:


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